Saúde e Trabalho

Stress Térmico: Riscos e medidas de prevenção

 Stress Térmico: Riscos e medidas de prevenção

As alterações climáticas são uma realidade que pode comprometer o ambiente de trabalho e a segurança dos trabalhadores. Em fases de maior calor a segurança e a saúde dos trabalhadores podem ficar comprometidos.

Descubra neste artigo, a influência do calor no trabalho, os sintomas de calor excessivo nos trabalhadores e as medidas de prevenção a adotar para evitar os riscos do stress térmico.

 

O que é o stress térmico?

O Stress térmico pode ser definido como  a carga térmica global a que um trabalhador pode estar exposto devido à conjugação de fatores, como o calor metabólico, vestuário e fatores ambientais (ou seja, temperatura, velocidade do ar, humidade e calor por radiação) que contribuem para esse efeito.

Assim a exposição ao calor excessivo pode originar situações de stress térmico, que se traduzem em alterações comportamentais e físicas.

O stress térmico é um risco para os trabalhadores tanto no interior como no exterior em todos os setores de atividade. A sua gravidade depende do local de trabalho, mas também de características individuais como a idade, a saúde, o estatuto socioeconómico e o sexo. Estas características devem ser tidas em conta nas medidas destinadas a atenuar os riscos do trabalho sob calor.

Impacto do calor na saúde e no desempenho profissional

Na melhoria das condições de trabalho, bem como na qualidade de vida, o ambiente térmico no trabalho desempenha um papel fundamental. As condições térmicas de um local de trabalho influenciam de forma significativa o bem-estar dos trabalhadores e, consequentemente, a sua produtividade e desempenho.

O aumento exponencial da temperatura do corpo e a desidratação podem alterar o estado mental do trabalhador, causar queimaduras e danos permanentes ou até mesmo tornarem-se fatais.

As temperaturas extremas afetam diretamente a saúde, comprometendo a capacidade do organismo para regular a sua temperatura interna. Podem também agravar as doenças crónicas, nomeadamente as doenças cardiovasculares, respiratórias, cerebrovasculares e doenças relacionadas com a diabetes.

O calor tem ainda influência na sinistralidade laboral: os trabalhadores tendem a perder a concentração e o ritmo de trabalho, levando à necessidade de efectuar mais pausas e despender menos energia nas actividades, aumentando o risco de acidentes por distração. Palmas das mãos suadas, óculos de segurança embaciados, tonturas, redução das funções cerebrais, desorientação, diminuição da capacidade de discernimento, perda de concentração, a redução do estado de vigilância, a falta de cuidado e a fadiga, podem aumentar o risco de acidentes no local de trabalho.

É de extrema importância então garantir a proteção dos trabalhadores contra calor no local de trabalho. Trabalhadores e empresas devem estar sensibilizados para as consequências da temperatura corporal elevada e adotar medidas preventivas que protejam o trabalhador, promovendo a Segurança no Trabalho. Todos os trabalhadores expostos a elevadas cargas térmicas devem ser seguidos pelos serviços de saúde no trabalho e pelos médicos do trabalho.

Medidas organizacionais de prevenção contra o calor

De forma a controlar o risco físico ou minimizar a exposição ao calor no ambiente de trabalho, devem ser adotadas medidas organizacionais e de proteção individual, como as seguintes:

Devem ser introduzidas alterações no trabalho e práticas de higiene para reduzir o calor ambiental e metabólico a que os trabalhadores e encontram expostos:

  • Limitar o tempo de exposição ao calor e/ou aumentar o tempo de recuperação numa zona fresca.
  • Incentivar os trabalhadores a controlarem o seu ritmo de trabalho.
  • Introduzir rotinas de trabalho flexíveis, tais como a rotação de postos de trabalho, transferindo os trabalhadores para zonas mais frescas do edifício, sempre que possível.
  • Permitir pausas suficientes para garantir que os trabalhadores possam arrefecer ou consumir bebidas frias.
  • Introduzir pausas em função da temperatura.
  • Alterar os objetivos e o ritmo de trabalho para facilitar o trabalho e reduzir o esforço físico
  • Flexibilizar o vestuário formal: fardas mais frescas e respiráveis.
  • Adaptar horários de trabalho: evitar alturas do dia ou do ano com temperaturas elevadas e exposição aos raios UV.
  • Planear um trabalho fisicamente exigente em alturas mais frias (de manhã/ao final do dia).
  • Reduzir as exigências metabólicas (fisicamente difíceis) do trabalho.
  • Organizar o trabalho de modo a minimizar as tarefas fisicamente exigentes, por exemplo, efetuar o trabalho ao nível do solo para minimizar a subida e descida de escadas ou escadotes.
  • Aumentar o número de trabalhadores por tarefa.
  • Garantir que os trabalhadores não trabalham sozinhos, ou se tiverem de o fazer que seja em condições de monitorização e garantindo que podem facilmente pedir ajuda.
  • Incentivar os trabalhadores a hidratarem-se: Fornecer água fria (10-15º C) perto da área de trabalho e disponibilizar copos individuais para cada trabalhador.
  • Incentivar todos os trabalhadores que tenham estado expostos ao calor, durante um máximo de duas horas exercendo atividades de trabalho moderadas, a beberem um copo de água a cada 15 a 20 minutos. Em caso de sudação prolongada (mais de duas horas) devem receber bebidas que contenham eletrólitos equilibrados, desde que a concentração de eletrólitos/hidrato de carbono não exceda 8 % em volume.
  • Pôr em prática um plano de aclimatação térmica e incentivar o aumento da aptidão física.
  • Fornecer informações, tais como sinais de alerta no local de trabalho, para reforçar a formação.

 

É importante ainda sensibilizar os trabalhadores relativamente aos perigos do stress térmico, alertando-os para a importância de estar atento aos seus sinais em si mesmos e nos colegas e de os comunicar imediatamente e garantir a monitorização frequente dos indicadores associados à exposição a ambiente térmico (calor radiante, temperatura, humidade e velocidade do ar). O estudo do ambiente térmico por parte do Técnico de Segurança no Trabalho deverá ter em conta a suscetibilidade individual dos trabalhadores expostos.

Deve garantir que os trabalhadores continuem a usar corretamente os EPI, apesar das temperaturas no local de trabalho. Por exemplo, não devem colocar-se em perigo ao desapertarem fechos para aumentar a circulação de ar no vestuário.

Quais os riscos do calor para os trabalhadores?

Como vimos, todos os setores podem ser alvo dos riscos associados ao calor excessivo. Contudo, as actividades profissionais que se desenvolvem no exterior ganham contornos de extremo relevo e importância, como por exemplo trabalhadores na construção civil, trabalhadores em pedreiras, área da agricultura, pesca, forças especiais e bombeiros.

De um modo geral, as pessoas não conseguem detectar os seus próprios sintomas relacionados com o stresse térmico. A sua sobrevivência pode depender da capacidade dos colegas de trabalho de reconhecerem estes sintomas e pedirem atempadamente a intervenção de primeiros socorros e assistência médica. Alguns sintomas da exposição prolongada e sistemática ao calor:

  • Alterações comportamentais e de humor
  • Diminuição da capacidade mental (distração e aumento do tempo de reação)
  • Fadiga física
  • Diminuição do ritmo de trabalho
  • Desmotivação e aumento do absentismo
  • Dores de cabeça
  • Náuseas e vertigens
  • Sudação excessiva
  • Patologias respiratórias

Paralelamente a estes, salientam-se problemas mais graves, em casos de calor extremo:

  • Cãibras – Espasmos musculares dolorosos devido a calor intenso ou hidratação insuficiente.
  • Desidratação – Deficiência de água no corpo e baixa concentração de sais minerais e eletrólitos.
  • Exaustão/Fadiga térmica – Desregulação do metabolismo hidroeletrolítico, provocando perda de água e eletrólitos excessiva por transpiração.
  • Queimaduras/insolação – Resposta inflamatória sistémica que causa o sobreaquecimento do corpo.

 

Sintomas de insolação

Os principais sintomas de insolação decorrentes do calor excessivo incluem:

  • confusão, alteração do estado mental, fala arrastada (afasia), comportamento irracional;
  • perda total ou parcial da consciência (coma);
  • pele quente e seca ou sudorese excessiva;
  • convulsões;
  • temperatura corporal muito elevada;
  • morte em caso de demora no tratamento;

Tratamento da insolação

Perante uma insolação siga estes passos para garantir a proteção da saúde da vítima:

  1. Efetue uma chamada para o 112 de forma a acionar a prestação de cuidados médicos de emergência;
  1. Mantenha-se junto do trabalhador até à chegada dos serviços de emergência médica;
  1. Desloque o trabalhador para um local fresco com sombra e retire-lhe o vestuário exterior;
  1. Proceda rapidamente ao arrefecimento do trabalhador, utilizando os seguintes métodos:
    • aplicar um banho de água fria ou de gelo (se possível)
    • coloque panos húmidos frios ou gelo na cabeça, pescoço, axilas e região inguinal, ou molhe a roupa com água fria,
    • faça circular o ar em torno do trabalhador e não o obrigue a ingerir líquidos

 

 

O vídeo Napo em…Está tanto calor que nem se pode trabalhar! no seu estilo humorístico habitual dá-nos uma ideia do que deve ser feito para controlar o stress térmico no local de trabalho e proteger os trabalhadores:

Consulte também O guia prático: Temperaturas Elevadas da EU-OSHA com orientações práticas para empregadores e trabalhadores sobre a gestão dos riscos associados ao trabalho em condições de exposição ao calor.

Este verão, vamos prevenir o stresse térmico no trabalho. Se pretende garantir a proteção dos seus trabalhadores conte com o apoio da Clínica Vera Cruz, contacte-nos!