As alterações climáticas têm originado ondas de calor mais frequentes, intensas e prolongadas em Portugal, que têm profundos impactos na Segurança e Saúde do Trabalho/Saúde Ocupacional (SST/SO).
Especialmente no verão, observa-se uma maior exposição profissional a temperaturas elevadas, sobretudo entre trabalhadores sujeitos a exposição direta à radiação solar, com impacto na saúde, segurança e produtividade dos trabalhadores.
Saiba aqui quais os principais riscos e medidas de prevenção face a temperaturas elevadas para a proteção da segurança e saúde dos trabalhadores.
Sabia que…
A Organização Mundial da Saúde estima que: 2,4 mil milhões de trabalhadores em todo o mundo estão expostos a calor excessivo, resultando em mais de 22,85 milhões de danos para a saúde por ano; mais de um terço de todas as pessoas que trabalham frequentemente em condições de calor excessivo sofrem de stress térmico.
A Organização Internacional do Trabalho estima que, até 2030, o aumento da temperatura global tornará 2% das horas de trabalho excessivamente quentes para o desempenho seguro das atividades laborais.
Setores mais afetados:
Trabalhadores em ambientes exteriores, sobretudo com exposição direta à radiação solar (ex. construção, agricultura, silvicultura, pesca, recolha de resíduos e de serviços de socorro e emergência).
Os trabalhadores em ambientes interiores, particularmente os que desenvolvem a atividade profissional em espaços quentes (como estufas, zonas de fornos e de fundição) e em locais que não tenham um isolamento adequado e/ou um sistema de arrefecimento/climatização.
Riscos para a saúde
A exposição a temperaturas elevadas no local de trabalho reduz a concentração, aumenta a probabilidade de acidentes e contribui para o aparecimento de lesões e doenças relacionadas com o calor.
O stress térmico ocorre quando o organismo é exposto a temperaturas extremas e não consegue manter a temperatura corporal ideal, entre 36°C e 37°C, podendo causar desde um desconforto ligeiro até quadros clínicos graves.

Fonte: DGS (Direção-Geral da Saúde)
Proteção dos Trabalhadores
A Lei n.º 102/2009, de 10 de setembro, estabelece que os empregadores devem assegurar locais de trabalho seguros e saudáveis e adotar as necessárias medidas de prevenção que garantam uma adequada temperatura
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, durante um turno de trabalho de oito horas, a temperatura corporal não deve ultrapassar os 38°C. Manter temperaturas corporais mais altas aumenta o risco de lesões relacionadas com o calor, principalmente para pessoas mais vulneráveis.
As empresas devem elaborar um plano de prevenção específico para temperaturas elevadas, para aplicar sobretudo em eventos de temperaturas extremas e ondas de calor. Algumas medidas de prevenção são indicadas de seguida:
1 Organização do trabalho
- Limitar o tempo de exposição a temperaturas elevadas e/ou aumentar o tempo de recuperação numa zona fresca.
- Introduzir padrões de trabalho flexíveis, como rotação de postos de trabalho que incluam zonas frescas.
- Planear as tarefas de maior exigência física para os períodos mais frescos do dia (manhã cedo, final do dia).
- Introduzir pausas regulares, mais frequentes e/ou com tempos de recuperação mais longos, à medida que a temperatura aumenta.
- Alterar metas e ritmos de trabalho para facilitar a realização das tarefas e reduzir o esforço físico.
- Garantir que nenhum trabalhador realiza tarefas de maior risco de exposição ao calor isoladamente.
2 Hidratação
- Disponibilizar água potável fresca de forma permanente e próxima do local de trabalho.
- Incentivar a ingestão de água a cada 15–20 minutos, mesmo sem sensação de sede.
3 Medidas técnicas ou de engenharia
- Assegurar áreas de descanso com sombra ou climatizadas, o mais próximo possível do posto de trabalho.
- Recorrer à utilização de equipamentos de processos automatizados, que evitem o esforço físico.
- Sempre que possível, recorrer a ventilação, ar condicionado ou sistemas de arrefecimento localizado.
- Uso de barreiras que refletem ou absorvem o calor.
- Isolamento de processos, máquinas ou instalações geradoras de calor.
4 Vestuário, EPI e proteção solar
- Adequar o vestuário de trabalho ao calor sem comprometer a proteção exigida pela atividade.
- Garantir que os EPI são compatíveis com a exposição ao calor e utilizados apenas no período considerado necessário.
- Disponibilizar chapéu com proteção UV (preferencialmente de abas largas), óculos de sol e protetor solar para atividades profissionais em ambiente exterior com exposição à radiação solar.
5 Informação e formação aos trabalhadores
- Dar formação a trabalhadores e supervisores para reconhecer precocemente os sinais de desidratação, exaustão pelo calor e outras complicações de saúde.
- Designar responsáveis com formação em primeiros socorros em cada turno/jornada de trabalho
O papel da CLÍNICA VERACRUZ
Os Serviços de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) desempenham um papel fundamental na prevenção dos efeitos das temperaturas elevadas nos trabalhadores. Para isso, devem desenvolver e implementar um plano de prevenção específico, que inclua:
- Avaliação dos riscos de cada posto de trabalho, considerando fatores como o ambiente térmico, a intensidade da atividade, o vestuário, os equipamentos de proteção individual (EPI) e a suscetibilidade de cada trabalhador.
- Identificação dos trabalhadores mais vulneráveis, como grávidas, trabalhadores seniores, pessoas com doenças crónicas ou que tomam medicação que afeta a capacidade de regular a temperatura corporal.
- Definição de critérios para ativação do plano de prevenção, com base nos alertas meteorológicos e incluindo procedimentos de emergência, primeiros socorros e referenciação para cuidados de saúde quando necessário.
- Formação e sensibilização dos trabalhadores, garantindo que conhecem os riscos da exposição ao calor, os sinais de alerta e as medidas preventivas a adotar, de acordo com a sua função.
- Vigilância da saúde: no decurso dos exames de saúde de admissão e periódicos, devem ser identificados os trabalhadores expostos a temperaturas elevadas e em particular os trabalhadores mais vulneráveis, podendo ser necessário recorrer a exames ocasionais e aferir se as medidas preventivas pré-existentes são suficientes e eficazes. Deve ser prestada particular atenção à potencial interação entre a temperatura elevada e outros fatores de risco (ex. físicos, químicos, biológicos, psicossociais), dado que a mesma pode agravar o risco de exposição profissional.
Uma gestão eficaz destes aspetos contribui para reduzir o risco de doenças relacionadas com o calor, proteger a saúde dos trabalhadores e assegurar a continuidade das atividades em condições de segurança. O Programa Nacional de Saúde Ocupacional 2030 considera as “alterações climáticas e os impactos na saúde laboral” como uma área prioritária de intervenção nacional.
Se tem alguma dúvida sobre este assunto ou precisa de ajuda a garantir a saúde e segurança da sua equipa contacte-nos.
Consulte a nota informativa da Direção-Geral da Saúde (DGS): recomendações de proteção dos trabalhadores expostos a temperaturas elevadas e ondas de calor aqui.







